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Toti

Apesar dos dias tenebrosos que o mundo vive, o texto não é para falar mal de nada, não. A não ser de mim. E não é aquelas coisas de me odeio e isso ou aquilo, não! Graças, já passei dessa fase, que não posso dizer adolescente porque, às vezes, a depressão também faz a gente se odiar. Mas já passei da adolescência e da depressão.

O que vou falar mal é do quanto me saboto ao evitar fazer coisas que me fazem bem, como, por exemplo, escrever. E eu andei meio brigada com isso tudo, com o mundo.

Sempre gostei de escrever mas isso ficou tão sem graça de uns tempos pra cá. Só que escrever é minha forma de expressar, mesmo que não sejam meus verdadeiros sentimentos, é a forma de colocar pra fora qualquer coisa que esteja reprimida em mim.

Então se perdeu a graça e não fiz mais, também comecei a transbordar as emoções e tem um momento que tudo foge do controle porque ou você se irrita com tudo ou já não se importa com mais nada... ou os dois porque eu conseguia não me importar mas também me irritar por ter que estar presente.

Eu não estava triste, não era essa a questão. Eu só não queria mais fazer parte de nada, de ter que estar presente, de ter que fazer ou ser algo. Qualquer coisa mínima era muita energia gasta pra mim. Eu só queria estar no meu canto sem ter que dar satisfação para o mundo, mas não é assim que a banda toca. E escrever, escrever me custava muito.

Como pode aquilo que te dá mais prazer na vida perder o sentido? E repito, eu não me sentia triste, só me sentia fraca, sem energia mesmo. E pra ser sincera, eu não sei se melhorei, eu só tô tentando voltar. Me inspirar, encontrar sentido e fazer coisas que antes me faziam feliz. Voltar a rir com vontade. Eu to com muita saudade de uma crise de riso, daquelas de perder o fôlego, sabe??

E eu acredito que pra tudo isso, eu mesma preciso trilhar algum caminho, de voltar a fazer algumas coisas porque no fundo eu to tão focada em trabalho e ter que dar certo que esqueço de aproveitar o lado bom das coisas. E a vida tem que ser leve.

Não vou prometer, mas vou tentar vir aqui mais frequentemente, falar sobre qualquer coisa. Voltar. Reiniciar. Recomeçar.

Dizem que existe uma chaminha, uma luzinha, um motorzinho dentro da gente que a gente deve manter aceso/ligado durante nossa vida, que é o que nos conduz, nos propulsiona. E é isso que eu não sinto em mim. Eu sinto muito a falta de uma alegria, de algo que me faça me sentir viva, de um propósito. Eu não quero acordar todos os dias com o medo que sinto.  Mas não quero que a força que tenho seja arrancada porque ainda é a única arma que levo comigo.

É muito estranho levar um oco no peito, não sentir nada, ter apatia. E não é uma apatia sobre tudo porque eu ainda amo as pessoas, sei que amo e não me sinto indiferente sobre suas dores e problemas. Eu só me sinto estafada para viver tudo isso. Eu quero reviver.

E pra isso, eu preciso voltar para mim.

Toti



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Eu acho que desaprendi a contar histórias, por algum motivo. Realmente não sei explicar, eu só acredito nisso.

Certa vez, em 2009, um amigo me disse que tinha raiva de mim (em tom de brincadeira, ok?) porque se a gente estivesse vendo um prego na parede, pra ele era apenas um prego mas eu conseguia descrever toda uma história sobre esse prego e o porquê ele estava ali. Lembro que pouco tempo depois escrevi um texto à ele falando sobre pregos e macaco-prego. Fiz alguma ligação sobre eles, e como resposta a isso veio um: tá vendo? Minha raiva só aumenta.

Pra quem escreve, bem ou mal, quando alguém lê um texto teu e fala sobre ele de uma forma construtiva, é como se estivesse abraçando o escritor. Motiva, mesmo que não faça a mínima ideia de onde virá a próxima inspiração, mas escrever também requer prática e várias outras coisas que eu mesma não tenho (ainda).

A situação é que toda vez que estou pensando em uma história, ela acaba e muitas vezes por motivos alheios à minha vontade. Ou porque os envolvidos na história resolvem que é hora de outros rumos, ou porque minha criatividade não faz questão de seguir aquele raciocínio. Adoro essas metáforas porque posso estar falando de histórias que invento ou que vivo e essa é a arte, ninguém saberá.

Em todo caso, posso afirmar que eu vivencio todas minhas histórias, inventadas ou não. Por exemplo, esses dias um pássaro que acredito ser uma andorinha veio cantar na minha janela às 3h da manhã. EU RI DEMAIS. Porque aquele passarinho não fazia menor sentido quando os pássaros da espécie dele são sempre ouvidos por mim às 5h da manhã, quando me acordam com seus gritos (5h eu não considero canto por mais positiva que eu possa ser). Estar ali às 3h não tinha uma explicação lógica pra mim porque além de não entender nada de pássaros, eu não faço ideia do porque cantam (já ouvi falar de rituais de acasalamento, mas não vem ao caso). O fato é que eu ri porque pensei naquele como sendo um pássaro boêmio, que passa as noites por aí voando, cantando, bebendo (?) e volta pra casa ainda com os sentimentos que a noite lhe deu. Me identifiquei com ele nesse momento e então, vivenciei o sentimento.

Mas além de agora, eu nunca falei pra ninguém sobre essa noite, sobre o canto do pássaro em horário alternativo porque eu não achei interessante. Eu dei o nome a ele de Pardal, mesmo imaginando que essa não seja sua espécie, mas me veio em mente que “a noite todos gatos são pardos” e isso deve valer pra qualquer bicho, portanto, vale o pássaro era pardo, um Pardal. Na minha mente isso fez todo sentido.

E tudo bem se você leu até aqui e não entendeu absolutamente nada. Finalmente estamos também conectados porque meu sentimento é esse, de me sentir perdida. Quando histórias terminam há um limbo até começar a nova história, e é nesse limbo que tô vivendo. É aqui que tô decidindo o que quero da próxima história mas se eu não sei como ela vai começar, imagina pensar num final.

E meu problema em desacreditar em mim sobre uma boa contadora de histórias está justamente em querer saber de tudo que vou contar quando a real é que eu preciso começar apenas, eu preciso dar o impulso inicial e falar as minhas verdades, deixar que a história aconteça, na minha vida ou na minha cabeça.

E os finais inesperados são sempre os melhores, dizem. E eu concordo, então, nem sei o porquê me cobro quanto aos finais se a própria “História sem fim” é um sucesso mundial. As minhas histórias, todas elas, eu sei que vão ter fins, mas acontece que também serão sempre a mola para o começo de uma nova história.

E é assim que eu estou aprendendo a levar minha vida. Quando eu encerro um ciclo, por mais dolorido que seja, eu logo vou iniciar um outro que, por toda minha vida, eu vivi da ansiedade pra saber o final. A ansiedade foi minha pior e melhor companheira. A ansiedade não me deixou ver o caminho porque ela queria o desfecho. E Chico Buarque nos ensinou que a história adora uma repetição, e me vi repetindo palavras e informações em diversos dos meus ciclos. Agora. Agora não. Para minha próxima história eu estou levando somente o essencial.

Meu próximo ciclo vai iniciar como nos contos de fadas: era uma vez. E esse Era uma vez vai ser pra contar sobre quem eu fui até aquele momento e que, graças a tudo que há de bom na vida, eu não sou mais aquela.

É aqui que sinto que devo começar a contas a minha verdadeira história.


PS.: Obrigada, Cambota, pelo título do meu texto (mesmo que ele nunca chegue até você)

Toti
Bom, a Mell e eu não nos conhecemos mas temos amigos em comum e esse parabéns dela não sai da minha cabeça.
Tudo porque eu tenho plena certeza que ela tem razão. Sempre falo que eu sou mimada pelos meus amigos. Familiares também, mas os amigos são de um cuidado tão grande comigo que não sei porque ainda me sinto insegura sobre algumas coisas da vida.
Eu vim falar de amor.
Amor não só daquele romantizado mas de todo tipo. Mas sim, preciso falar do romantizado.
Por que? Porque eu comecei esse texto e o spotify começou a tocar "estoy enamorado". Vocês lembram dessa música? Pois é! Olhem que desgraça. 
Mas vamos lá! Fiz aniversário há menos de uma semana, foi o dia que mais senti a solidão bater na vida porque graças ao coronavírus eu não recebi nenhum abraço. Justo eu!
Só que tem coisas que estão no mundo virtual que me abraçam, tipo essa mensagem da Mell. Eu sou uma pessoa de muita sorte porque eu acredito que muitas pessoas me amam, e de verdade. Nunca fiz nada pedindo retorno e sempre recebi muita gratidão. E mesmo quando nada fiz, eu recebi muito amor.
E existe o desamor que muito provavelmente esteja mais latente em mim hoje.
A resposta é porque me sinto triste nesse instante ao mesmo passo que vejo meus amigos "brigando" em rede social pra dizer quem me ama mais. Vejam:
São meus maiores amigos atualmente, porém, um mora em Fortaleza  e outro em São Paulo. Sabem, nunca é a relação e, sim, o sentimento. Eu amo esses dois e sempre que posso digo isso a eles. O amor, na nossa vida, sempre se apresenta em formas diferentes. Só que eles fizeram por merecer um lugar especial no meu coração.
E sabem o que é maior que isso? Meu sentimento nunca acaba e eles, às vezes, não fazem a mínima ideia do que acontece comigo. Porém, é amor. Se eu quiser eu sei que eles estarão ali. Eles fizeram eu acreditar nisso e eu acredito. Amor é isso
Lembro que uma vez falei para meu primeiro ex-namorado que se um dia a gente terminasse ele ia terminar com uma playlist todinha. E sabem o que aconteceu? A gente terminou.
Fiquei meses e meses sem conseguir ouvir minhas músicas preferidas. Já estava em outro relacionamento quando consegui ouvir.
Nesse meio-tempo eu conheci muitos gêneros de música, seja bolero, tango, blues ou SERTANEJO (triste mas também ouvi). Só que também entendi que não sou sommelier do ouvido alheio e aprendi a respeitar muito mais os gostos musicais. E também aprendi que eu não preciso odiar o funk/forró/pagode só porque não escuto diariamente. Tudo é processo e preciso viver o momento em que estou.
E meu momento hoje é de desamor. Eu prometi que nunca mais iria gostar de alguém só que isto nunca está verdadeiramente em nossas mão. Do nada, acaba.
Se eu pudesse deixar um conselho pra vocês seria: Foquem em suas carreiras, ela nunca vai acordar e, do nada, dizer que não te ama mais.
Eu tô realmente focada em mim, não aceitando menos do que mereço e exercitando isso tudo no dia-a-dia porque um dia aceitei lixo. E eu, definitivamente, não sou um lixo. Eu comecei a olhar pra mim de uma forma mais generosa e amorosa e tenho baseado minha vida nessas informações. Tem dado certo porque na maioria do tempo é muito melhor perder-se do que nunca se achar.
E de todos os aprendizados que eu tive, queria e quero dizer pra vocês nunca guardarem o que sentem. Em primeiro lugar, as pessoas que te amam não vão te deixar porque você está em uma crise de ansiedade. E, segundo, porque ninguém vai achar que tu é um fracassado por ter que lidar diariamente com medos e todos seus anseios. Vivam os seus dias em plenitude porque vocês realmente não sabem o que é ficar esperando respostas ou até as procurando incessantemente. A felicidade, como sabemos, mora em nós. Não tem um caminho certo para chegar a ela. Só temos que viver o nosso dia e,se possível, agradecer pela incrivel oportunidade do aprendizado. É nossa vaga certeira pra dizer que entendemos e que não precisamos mais repetir padrões e estamos dispostos a viver o que realmente interessa pra evolução do nosso ser.
Hoje eu to bem mais plena, mas reconheço que durante a semana tive diversas crises e vontade de jogar textão na cara de algumas pessoas. Mas não é o momento, nem meu nem delas. Peguei minha lição sobre silêncio e estou tentando ligar pra ela, entender o porquê ela está aqui agora. Às respostas não podem vir hoje, mas estou tranquila.
Por que?
Porque minha consciencia está tranquila. Eu filtrei as pessoas que estão em minha vida e na maioria delas, doeu. Hoje eu quero vivenciar o amor em todas suas formas. Inclusive e principalmente, o amor próprio.


Toti

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