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Toti
Bom, a Mell e eu não nos conhecemos mas temos amigos em comum e esse parabéns dela não sai da minha cabeça.
Tudo porque eu tenho plena certeza que ela tem razão. Sempre falo que eu sou mimada pelos meus amigos. Familiares também, mas os amigos são de um cuidado tão grande comigo que não sei porque ainda me sinto insegura sobre algumas coisas da vida.
Eu vim falar de amor.
Amor não só daquele romantizado mas de todo tipo. Mas sim, preciso falar do romantizado.
Por que? Porque eu comecei esse texto e o spotify começou a tocar "estoy enamorado". Vocês lembram dessa música? Pois é! Olhem que desgraça. 
Mas vamos lá! Fiz aniversário há menos de uma semana, foi o dia que mais senti a solidão bater na vida porque graças ao coronavírus eu não recebi nenhum abraço. Justo eu!
Só que tem coisas que estão no mundo virtual que me abraçam, tipo essa mensagem da Mell. Eu sou uma pessoa de muita sorte porque eu acredito que muitas pessoas me amam, e de verdade. Nunca fiz nada pedindo retorno e sempre recebi muita gratidão. E mesmo quando nada fiz, eu recebi muito amor.
E existe o desamor que muito provavelmente esteja mais latente em mim hoje.
A resposta é porque me sinto triste nesse instante ao mesmo passo que vejo meus amigos "brigando" em rede social pra dizer quem me ama mais. Vejam:
São meus maiores amigos atualmente, porém, um mora em Fortaleza  e outro em São Paulo. Sabem, nunca é a relação e, sim, o sentimento. Eu amo esses dois e sempre que posso digo isso a eles. O amor, na nossa vida, sempre se apresenta em formas diferentes. Só que eles fizeram por merecer um lugar especial no meu coração.
E sabem o que é maior que isso? Meu sentimento nunca acaba e eles, às vezes, não fazem a mínima ideia do que acontece comigo. Porém, é amor. Se eu quiser eu sei que eles estarão ali. Eles fizeram eu acreditar nisso e eu acredito. Amor é isso
Lembro que uma vez falei para meu primeiro ex-namorado que se um dia a gente terminasse ele ia terminar com uma playlist todinha. E sabem o que aconteceu? A gente terminou.
Fiquei meses e meses sem conseguir ouvir minhas músicas preferidas. Já estava em outro relacionamento quando consegui ouvir.
Nesse meio-tempo eu conheci muitos gêneros de música, seja bolero, tango, blues ou SERTANEJO (triste mas também ouvi). Só que também entendi que não sou sommelier do ouvido alheio e aprendi a respeitar muito mais os gostos musicais. E também aprendi que eu não preciso odiar o funk/forró/pagode só porque não escuto diariamente. Tudo é processo e preciso viver o momento em que estou.
E meu momento hoje é de desamor. Eu prometi que nunca mais iria gostar de alguém só que isto nunca está verdadeiramente em nossas mão. Do nada, acaba.
Se eu pudesse deixar um conselho pra vocês seria: Foquem em suas carreiras, ela nunca vai acordar e, do nada, dizer que não te ama mais.
Eu tô realmente focada em mim, não aceitando menos do que mereço e exercitando isso tudo no dia-a-dia porque um dia aceitei lixo. E eu, definitivamente, não sou um lixo. Eu comecei a olhar pra mim de uma forma mais generosa e amorosa e tenho baseado minha vida nessas informações. Tem dado certo porque na maioria do tempo é muito melhor perder-se do que nunca se achar.
E de todos os aprendizados que eu tive, queria e quero dizer pra vocês nunca guardarem o que sentem. Em primeiro lugar, as pessoas que te amam não vão te deixar porque você está em uma crise de ansiedade. E, segundo, porque ninguém vai achar que tu é um fracassado por ter que lidar diariamente com medos e todos seus anseios. Vivam os seus dias em plenitude porque vocês realmente não sabem o que é ficar esperando respostas ou até as procurando incessantemente. A felicidade, como sabemos, mora em nós. Não tem um caminho certo para chegar a ela. Só temos que viver o nosso dia e,se possível, agradecer pela incrivel oportunidade do aprendizado. É nossa vaga certeira pra dizer que entendemos e que não precisamos mais repetir padrões e estamos dispostos a viver o que realmente interessa pra evolução do nosso ser.
Hoje eu to bem mais plena, mas reconheço que durante a semana tive diversas crises e vontade de jogar textão na cara de algumas pessoas. Mas não é o momento, nem meu nem delas. Peguei minha lição sobre silêncio e estou tentando ligar pra ela, entender o porquê ela está aqui agora. Às respostas não podem vir hoje, mas estou tranquila.
Por que?
Porque minha consciencia está tranquila. Eu filtrei as pessoas que estão em minha vida e na maioria delas, doeu. Hoje eu quero vivenciar o amor em todas suas formas. Inclusive e principalmente, o amor próprio.


Toti

Quando eu era criança não existia a palavra "Gordofobia" ou "bullying" e mesmo assim o meu texto está sublinhado aqui, sem reconhecer tais expressões. Eu não era uma criança obesa, mas tinha sobrepeso, sim.
Eu era muito ativa (mas comia carboidrato além do necessário).
Aliás, eu dançava e, modéstia a parte, bem. Não lembro de ficar na segunda fila das apresentações em nenhum dos anos em que dancei  (entre meus 4 e 17 anos sempre me apresentei por aí). Mas eu lembro de muitas coisas que me falavam durante todos estes anos de sobrepeso.
A começar pelas minhas amigas. Hoje, sendo adulta, eu não consigo classificar como maldade as falas delas na época, mas eu consigo ouvir a voz delas ecoando na minha cabeça. Como um "quem sabe se tu emagrecesse...". Assim, do nada. Às vezes eu nem lembro o assunto para que esse tipo de frase se direcionasse a mim porque eu não reclamava para elas sobre meu peso.
Eu sei também que eu sempre fui muito na minha, fui muito nerd, gostava de ler, demorei pra despertar esse negócio de ficar, namorar e etc e pelo meu físico as minhas amigas achavam que eu era lésbica (e nesse caso, zero preconceito delas). Mesmo naquela época, anos 90 ou início dos anos 2000, onde homossexualidade não era tão falada, elas me questionavam se eu gostava de meninas. Eu só dizia que não e nem entendia o porquê dessa pergunta que depois em casa, abraçada nos meus livros eu ficava refletindo: "é por que sou gorda e uso camiseta e não me visto que nem elas?". Só que eram coisas tão sem importância pra mim, que não me abalavam - pelo menos eu achava que não. Às vezes era só curiosidade delas, eu tinha curiosidade em saber como era ser magra, elas deveriam querer saber como era ser gorda. Deveria ser isso.
Uma das poucas vezes que doeu, mas mais por vergonha porque eu fiquei sem reação na hora, foi quando duas amigas estavam sentadas num banco, era inverno, e eu estava com uma jaqueta grande (inverno no RS não é para amadores) e a jaqueta estava aberta porque eu ainda estava com um blusão de lã. Em dado momento as duas amigas saíram e eu sentei onde elas estavam e elas começaram a rir porque ocupei o lugar das duas. Na real tinha lugar para mais uma pessoa, mas eu sou espaçosa, me atirei, minha jaqueta também usou o banco, e eu só fiquei envergonhada da situação e acreditei realmente que ocupei o lugar de duas pessoas naquele banco.
E foi assim que eu comecei a adolescência sem ter vontade de sair para festinhas, sem ter vontade de me arrumar, e já contei aqui sobre as situações das minhas roupas serem diferentes das minhas amigas.
Agora eu na percepção de adulta, vejo que um pouco de tudo que vivi são pequenos traumas. São coisas que eu não falava até porque eu não entendia, que não era sofrível mesmo que dentro de mim acabasse se tornando um caos. E eu nem sabia disso, eu não sabia que em mim estava doendo porque eu tentava não pensar. Porque eu era diferente e eu não sabia que tudo bem em ser diferente. Aliás, como sempre fui bem aceita nos grupos, eu não sabia que existia uma diferença. Eu era popular justamente por dançar, por fazer teatro, por estar metida em tudo que tinha que aparecer. Mas eu não sabia que ter quilos a mais me faria feia e hoje é o que mais luto dentro de mim pra mudar e entender. 
O fato de aparecer, de estar sempre em evidência, de não ter vergonha, de ser extrovertida me faz ser diferente de uma vitima de gordofobia ou de bullying, porque normalmente são pessoas mais introspectivas e enfim, a psicologia explica melhor que eu.
Mas eu sei que fui vítima da gordofobia e, principalmente, porque teve muito mais história além destas que rapidamente contei. Houve rejeição das minhas próprias amigas, houve a vergonha e também teve a minha parcela de culpa por aceitar o lixo que me jogaram (consciente e inconsciente). Lá onde tudo começou eu não sabia o que estava acontecendo.
O bullying muitas vezes é muito mais escrachado (quando ele realmente existe, quando a zoeira passa do saudável - aliás, sempre se perguntem: até quando é zoeira?), ele é mais visto mesmo quando é um ato isolado, como a situação do menino vendedor de geladinho (ou sacolé) que acabou virando notícia (e eu chorei horroreeeeeeeeeeees), já a gordofobia, eu não sei a opinião de vocês, mas eu que passei por ela, me parece ser algo mais cotidiano porque são atos e atos e atos... enquanto tu continua gorda, não importa onde tu vá, tu vai continuar sendo vítima.
Eu digo que fui vítima, porque por mais extrovertida e tudo mais que contei aqui, hoje meu psicológico não aceita aquilo tudo que passei. Eu perdi as contas das noites que chorei por não me aceitar. Fiquei meses ou talvez anos sem me olhar no espelho, sem me reconhecer, tendo que trabalhar meu psicológico pra conseguir me ver hoje em dia e mesmo assim ainda tenho a imagem distorcida. E é um estigma tão meu que eu consigo achar mulheres gordas lindas - e de fato, são- , mas eu, eu não. 
"Ah, Tônia, tu emagreceu!" Contem pra minha cabeça isso! Se eu noto que emagreci? Agora sim, mas foi na base da terapia e não com a visão do espelho.
Se hoje acredito que minhas amigas eram pessoas tóxicas? Talvez, sim! Justamente porque meu psicológico até hoje não sabe lidar com aquilo tudo de informações. Hoje questiono se toda a extroversão não foi uma válvula de escape paralidar com tudo que eu sentia. Eu realmente não sei responder mas também foi muito bom, eu adorava dançar e fazer teatro e isso faz parte de mim até hoje.
Eu não sei somatizar na minha vida quantas vezes eu fui tóxica para outras pessoas também porque enquanto ser humano (e sem paciência como sou), muito provavelmente eu errei muito. E tô falando "tóxico" porque tá na moda porque na minha época era dito "pau no cu".
Lógico que se eu pudesse eu voltaria atrás. Lógico que se eu fiz tão mal a alguém eu queria a chance de me redimir, de pedir desculpas, mesmo sabendo que muitos não fariam o mesmo por mim. Mas consciência é pra quem tem.
E mais uma vez: Tudo bem!
Já diria Caetano que cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é, mas sempre é bom lembrar que você é eternamente responsável pelas palavras que lança ao universo, ao amiguinho ai do lado e que a vida é daqui pra frente porque o passado, este tá lá no lugar dele, né? 
Infelizmente o meu passado ainda se faz presente na minha cabeça e em excesso, porém, essa luta é minha. 
Mas se eu pudesse deixar aqui uma mensagem de verdade, para a vida, para a eternidade, mesmo sendo parafraseando Teddy Correa, eu digo a vocês: permitam que os seus filhos aprendam a ter compaixão.



Toti

Quem me conhece, ou melhor, quem me conheceu de uns seis meses pra trás, sabe o quanto eu sou/fui uma pessoa sociável, de fácil amizade, e que ria o tempo todo.

Aliás, se tem uma coisa que faço com facilidade é amizade onde estou, ou pelo menos, onde ia. Olhava pro lado já sabia a vida inteira da pessoa e nem tinha perguntado nada. Não sei qual é a aspiração de confiança que passo/passava, mas ela já me conta(va) seus segredos de liquidificador assim, de boa.

Eu nunca fui de festas, mas sempre adorei bares, cervejas e amigos. Eu nunca dispensei risada. Nunca.

Mas, de uns seis meses pra cá, eu não sei o que acontece, eu não sou mais eu. Estou introspectiva, cada vez menos barulhenta/espaçosa entre os amigos, meu riso já não está tão fácil, sair de casa é uma tarefa árdua. 

Já não existe o:

- Vamo?

- Vamo!

Entendam! Não estou depressiva. Não estou triste. Eu só estou TOTALMENTE SEM PACIÊNCIA para seres humanos. Eu não quero conhecer gente e isso era o que mais eu amava. Eu sempre fui apaixonada por histórias de seres humanos e por essas eu sempre amei os idosos porque eles têm muitas delas. E as crianças também, não a toa que fiz trabalho voluntário com elas por alguns anos, porque elas me contavam histórias que minha imaginação jamais conseguiria alcançar.

Meus grupos de Whatsapp se restringiram bastante a ponto de muita gente achar que é pessoal o negócio e, bom, eu não fiz questão nenhuma de explicar que não era. Filtros! Quem me conhece sabe que to ali no privado.

E justo eu que amo tanta gente. 

Eu já moro sozinha, trabalho em casa, restringi minha vida em grupos, não uso app e minhas redes sociais são totalmente voltadas para minha família e para meus amigos, não converso com ninguém além deles e quando surge alguém do além dizendo qualquer coisa que me viu em qualquer lugar, eu me limito a pensar um 'nossa, coitado' e rola um block mais que providencial. EU NUNCA FUI ASSIM.

Em 2017 eu conheci mais de 400 pessoas através da Odisseia. Tudo bem que tive que filtrar um monte e isso tira energia da gente porque nem todo ser humano é gente boa, né? Mas eu conheci tanta gente que vale a pena, ganhei um afilhado que arrombou meu coração, tenho uma infinidade de pessoas que tenho maior orgulho de chamar de amigo pelo Brasil todo que não entendo como cheguei nesse ponto.

O fato é que: EU NÃO QUERO SER ASSIM E EU ME RECUSO A CONTINUAR SENDO!!!

Então aqui vai uma promessa: Esses são meus últimos dias de véia dos gatos sem gatos.

Eu quero minha vida como era antes. Eu quero voltar a rir até perder as forças mas com gente ao meu redor, rindo comigo (e não de mim - a não ser que sejam nas minhas histórias pirilâmpicas que sempre tenho várias delas - minha vida é uma piada, vocês sabem).

Quero meus Natais com música a toda, porque quero dançar e rebolar a raba até o chão. Eu quero os bares de volta, eu quero meus amigos de volta, eu quero abraços. O ABRAÇO SALVA O MUNDO, GENTE. EXPERIMENTEM UM POUCO DE CALOR HUMANO DE VERDADE. (Aqui eu quero um grifo no "de verdade" porque abraço todo mundo dá, mas experimente os terapêuticos, de pessoas que tem energia boa pra te passar e não aquelas que estão tão vazias que não tem absolutamente nada pra doar).

Sabe, acredito que esta minha reclusão foi boa para filtrar as pessoas da minha vida. Se em 2017 eu conheci 400 pessoas, em 2019 eu conheci 5, e trouxe apenas 2 pra minha vida, e uma delas  também está numa fase introspectiva, enquanto a outra tem sido um alicerce pra mim, tem me dado força e coragem pra ser quem sou.

Eu tenho pessoas tão incríveis na minha vida que é injusto eu me esconder aqui. Mas eu quero presença, eu quero abraço, a mesa do bar e brinde e não a tela do celular. Eu quero renovas as fotografias e não viver de  #TBT.

Eu tô voltando, sim. Aos poucos porque a vida tá corrida e me chamando para as responsabilidades, mas eu preciso deixar uma coisa bem clara aqui: PUTA QUE PARIU, QUE SAUDADE QUE EU TÔ DE MIM!!
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