Toti
Li uma reflexão de Charlie Barkley que diz "tão feliz e a escrita definhando. Por que é que é mais fácil dizer, quando sangra?" e pra mim fez todo o sentido.
Há alguns dias soltei no instagram uma reflexão sobre "sentir o limbo". Por que eu não estava triste, estou com saúde, não tenho que superar nada, nem alguém porque estou muito bem com todos os acontecimentos da minha vida. Mas eu também não sentia alegria. Nada me fazia sentido e eu não encontrava motivação em nada.
E dali, algumas pessoas do meu passado foram surgindo falando de terem saudades das coisas que eu escrevia, recebi vários elogios legais e, inclusive, de fazer parte de um livro. Eu reclinei dos convites porque faz um bom tempo que não escrevo nada e eu não consigo sequer pensar em algo pra escrever. E o porquê disso? Porque não dói. Justamente porque eu não tenho nada ardendo em mim para que eu precise transformar em palavras. Eu não escrevo somente coisas minhas quando escrevo, mas o impulso é sempre uma dor.
E não dói.
E isso é motivo para ser grata, logicamente. E a partir do momento que eu disse todos os nãos necessários, minha vida deu uma guinada que eu to até agora sem saber de que lado vem o vento. Eu to muito feliz. Eu tenho uma motivação. Eu tenho um propósito. Esse propósito que busquei durante minha vida toda, que chorei dias e dias a fio, que a falta dele fazia eu acreditar que minha existência era desnecessária.
E nada disso tem a ver com escrever para ter leitores. Nem com escrita. Nem com absolutamente nada. Minha dor parou de doer, tudo o que sangrava foi estancado porque eu precisava me abrir para esse infinito de possibilidades de coisas realmente incríveis pra mim. Hoje eu tenho um propósito que vem diretamente da minha alma e eu não preciso mais falar pra ninguém.
Isso tudo tem me mudado de formas profundas. Eu to mais alegre. Eu tenho brilho nos olhos e isso tem me feito estar diariamente emocionada com tanto. E aí eu fui pra terapaia porque não sou nem louca de estragar esse momento.
Tudo fez ainda mais sentido, eu to com ideias borbulhando em mim. Eu me desprendi de muita coisa, desbloqueei gente, soltei para o universo porque nada mais cabe em mim e na minha vida. Todos que passaram, cumpriram uma missão especial na minha vida e me fizeram ser quem sou, mas agora é hora de ir para frente.
Hoje mesmo vou fazer uma tatuagem que tem um significado enorme pra mim, sobre o que me importa, sobre o que fica, sobre quem não vai. E é sobre o meu cachorro. Ele me faz ver o lado bom, sem ele eu teria enlouquecido em outros momentos da vida e só eu sei a alegria que dá toda vez que o vejo, mesmo que por foto. E é por toda essa alegria que vou deixar na minha pele a marca do maior amor que tenho na vida, não só pelo Che, mas por doguinhos em geral. Ele simboliza isso tudo.
Sabem, num termino de alguma relação que tive na vida, a última coisa a mim enviada foi uma foto de um dog por qual tenho bastante estima. Eu senti como uma chantagem emocional porque foi o exato momento que a pessoa me excluiu da vida dela. Não penso muito nisso mas eu achei de uma baixeza incrível e se já estava difícil admirar, foi aí que também se for o respeito. E eu tinha respeito pelo quanto a pessoa me fez bem enquanto esteve por perto, quando eu já me encontrava infeliz. Mas seja qual for o intuito que a pessoa usou o dog, não atingiu o esperado e criou um bloqueio que até então não existia.
Não há odio, raiva, nada ruim, mas agora também não há mais nada bom. E eu to em outra fase da vida que já não faço esforço algum pra manter vínculos. Como falei no texto anterior aqui, eu sei muito bem o que passei sozinha, então sequer me acho egoísta. Tá tudo bem, o que era de minha responsabilidade, eu fiz. Agora não carrego mais nada sobre como as pessoas se sentem sobre mim.
Mas são os doguinhos que não deixam eu me esquecer da minha essência e que facilmente estancam minhas dores. E vou deixar isso como marca da minha nova fase porque não há mais nada sobre o passado que eu queira escrever, registrar, deixar na história.
Faz mais sentido o que sou agora e quem quero me tornar.
s2 demorei muito pra chegar aqui, agora é sustentar s2
Toti
Bom, a Mell e eu não nos conhecemos mas temos amigos em comum e esse parabéns dela não sai da minha cabeça.
Tudo porque eu tenho plena certeza que ela tem razão. Sempre falo que eu sou mimada pelos meus amigos. Familiares também, mas os amigos são de um cuidado tão grande comigo que não sei porque ainda me sinto insegura sobre algumas coisas da vida.
Eu vim falar de amor.
Amor não só daquele romantizado mas de todo tipo. Mas sim, preciso falar do romantizado.
Por que? Porque eu comecei esse texto e o spotify começou a tocar "estoy enamorado". Vocês lembram dessa música? Pois é! Olhem que desgraça.
Mas vamos lá! Fiz aniversário há menos de uma semana, foi o dia que mais senti a solidão bater na vida porque graças ao coronavírus eu não recebi nenhum abraço. Justo eu!
Só que tem coisas que estão no mundo virtual que me abraçam, tipo essa mensagem da Mell. Eu sou uma pessoa de muita sorte porque eu acredito que muitas pessoas me amam, e de verdade. Nunca fiz nada pedindo retorno e sempre recebi muita gratidão. E mesmo quando nada fiz, eu recebi muito amor.
E existe o desamor que muito provavelmente esteja mais latente em mim hoje.
A resposta é porque me sinto triste nesse instante ao mesmo passo que vejo meus amigos "brigando" em rede social pra dizer quem me ama mais. Vejam:
São meus maiores amigos atualmente, porém, um mora em Fortaleza e outro em São Paulo. Sabem, nunca é a relação e, sim, o sentimento. Eu amo esses dois e sempre que posso digo isso a eles. O amor, na nossa vida, sempre se apresenta em formas diferentes. Só que eles fizeram por merecer um lugar especial no meu coração.
E sabem o que é maior que isso? Meu sentimento nunca acaba e eles, às vezes, não fazem a mínima ideia do que acontece comigo. Porém, é amor. Se eu quiser eu sei que eles estarão ali. Eles fizeram eu acreditar nisso e eu acredito. Amor é isso
Lembro que uma vez falei para meu primeiro ex-namorado que se um dia a gente terminasse ele ia terminar com uma playlist todinha. E sabem o que aconteceu? A gente terminou.
Fiquei meses e meses sem conseguir ouvir minhas músicas preferidas. Já estava em outro relacionamento quando consegui ouvir.
Nesse meio-tempo eu conheci muitos gêneros de música, seja bolero, tango, blues ou SERTANEJO (triste mas também ouvi). Só que também entendi que não sou sommelier do ouvido alheio e aprendi a respeitar muito mais os gostos musicais. E também aprendi que eu não preciso odiar o funk/forró/pagode só porque não escuto diariamente. Tudo é processo e preciso viver o momento em que estou.
E meu momento hoje é de desamor. Eu prometi que nunca mais iria gostar de alguém só que isto nunca está verdadeiramente em nossas mão. Do nada, acaba.
Se eu pudesse deixar um conselho pra vocês seria: Foquem em suas carreiras, ela nunca vai acordar e, do nada, dizer que não te ama mais.
Eu tô realmente focada em mim, não aceitando menos do que mereço e exercitando isso tudo no dia-a-dia porque um dia aceitei lixo. E eu, definitivamente, não sou um lixo. Eu comecei a olhar pra mim de uma forma mais generosa e amorosa e tenho baseado minha vida nessas informações. Tem dado certo porque na maioria do tempo é muito melhor perder-se do que nunca se achar.
E de todos os aprendizados que eu tive, queria e quero dizer pra vocês nunca guardarem o que sentem. Em primeiro lugar, as pessoas que te amam não vão te deixar porque você está em uma crise de ansiedade. E, segundo, porque ninguém vai achar que tu é um fracassado por ter que lidar diariamente com medos e todos seus anseios. Vivam os seus dias em plenitude porque vocês realmente não sabem o que é ficar esperando respostas ou até as procurando incessantemente. A felicidade, como sabemos, mora em nós. Não tem um caminho certo para chegar a ela. Só temos que viver o nosso dia e,se possível, agradecer pela incrivel oportunidade do aprendizado. É nossa vaga certeira pra dizer que entendemos e que não precisamos mais repetir padrões e estamos dispostos a viver o que realmente interessa pra evolução do nosso ser.
Hoje eu to bem mais plena, mas reconheço que durante a semana tive diversas crises e vontade de jogar textão na cara de algumas pessoas. Mas não é o momento, nem meu nem delas. Peguei minha lição sobre silêncio e estou tentando ligar pra ela, entender o porquê ela está aqui agora. Às respostas não podem vir hoje, mas estou tranquila.
Por que?
Porque minha consciencia está tranquila. Eu filtrei as pessoas que estão em minha vida e na maioria delas, doeu. Hoje eu quero vivenciar o amor em todas suas formas. Inclusive e principalmente, o amor próprio.
Toti
As pessoas sonham.
Com carreira, com filhos, com viagens.
Eu nunca tive muitas ambições, principalmente depois que entrei na faculdade porque eu nunca soube o que eu queria ser quando fosse adulta. Fiz faculdade de Direito mas nunca quis ser juíza, promotora, delegada, advogada, o que fosse.
Quando ainda na adolescência eu imaginava minha vida era sempre uma janela enorme, o frio, e um cachorro dormindo aos meus pés enquanto eu lia algum livro.Talvez fosse minha cena mais romântica sobre a vida e também o mais perto que cheguei de um sonho. É sempre a cena que volto a imaginar quando a ansiedade me ataca e eu preciso encontrar um lugar de paz.
Bom, eu tenho uma janela grande na minha sala. Não é enorme, não é que nem eu sonhava. Mas ela está ali e, inclusive, vou deixar anotado aqui que eu deixo entrar pouco sol, devo iluminar mais a casa.
Mas o que me faz escrever é o cachorro porque nesse sonho de adolescência ele já tinha nome, ele já tinha vida e eu consegui realizar. Meu Che que por algum motivo a vida fez com que a gente morasse separados, mas eu sempre soube que era ele. Eu amo cachorros e eu não sei se penso em ter mais no futuro, talvez eu me apaixone desesperadamente por algum e queira adotar, mas o Che... o Che foi feito pra mim, sob encomenda pro universo. Eu sei que foi.
E eu escrevo agora porque estou com saudades e eu acho que ele também está com saudades de mim. Então eu to sofrendo em dobro. E não, não me venham dizer que dono de pet não é mãe.O amor que sinto por este cachorro preto e branco é a coisa mais pura e sincera que consegui sentir na minha vida. Ele esteve comigo nos dias que tomei minhas decisões mais difíceis e que mudaram minha vida - e a dele - pra sempre, e ver aquelas orelhas pretas em meio aos pelos brancos daquela fuça que tá sempre suja de terra é o que mais faz aquecer meu coração.
Eu optei em não ser mãe de humanos e dizem que não existe amor que se compare. Veja, eu não to querendo comparar nada e, muito menos, ofender alguém, principalmente uma mãe ou uma mulher que sonhou com a maternidade, seja de filho de sangue ou adotivo.
De tudo, eu só quero dizer que existe amor entre meu filho canino, mundo e eu. Ele me faz ver as coisas com mais leveza. Quando eu sento da escada e ele senta ao meu lado, ou aos meu pés,embaixo de mim, parece que eu não preciso de mais nada. Às vezes uma lágrima furtiva cai porque eu sei que terei que me despedir por uns meses, porque ele vai ficar longe e (ele fica maravilhosamente bem onde ele está) eu não vou ter que me encolher mais para dormir. E eu não vou todo dia acordar e dizer "bom dia, carniça" em pensamento, e ele me responder que tá com fome, que quer ração com mortadela, e que ele também não aguenta os passarinhos.
É a "nossa coisa" de mãe e filho. E eu entendo quando falam que os filhos são criados para o mundo. Eu mesma levantei asas há quase 8 anos e não estou mais próxima aos meus pais e acho que é mais difícil pra eles do que pra mim mas... não digam que meu sentimento é pouco, que meu sentimento é falho, que meu sentimento não é o suficiente.
O Che, ele não é só um cachorro. Pode ser pra vocês mas não pra mim porque eu sonhei com ele, eu quis ter ele na minha vida e a gente se reconheceu no primeiro momento em que estivemos juntos. Nossos cabelos são rebeldes, somos teimosos, somos sem-noção e fazemos os outros sorrirem. Respeitem, sabe? Eu amo um animal, eu amo um cachorro, eu amo. E acho que isso deveria ser suficiente.
Eu tenho a sorte dele estar tão bem, de mesmo que esporadicamente ainda poder vê-lo, brincar e exitar em dar banho (sim, eu detesto dar banho nele, embora seja um momento engraçado e fofinho).
Sem sombra de dúvidas ele foi a "coisa" mais legal que me aconteceu. Adotar um animal exige da gente, mas meu presentinho de grego foi basicamente o que encheu meus pulmões de vida nos meus últimos anos.
É amor, sabem? Me basta.
Toti
Eu tenho saudade.
Não vou propor baixo astral no último dia de 2019. O ano foi ruim em si, não contava que ele levaria também o coração dourado da mana que tinha os pelos mais macios do universo. Aqueles pelos eu acho que nunca mais vou encontrar iguais. Pode ser que exista, mas eles não terão o mesmo amor e a mesma ternura da Brida.
Ternura? Quem usa essa palavra em pleno 2019? Bom, eu! É a arte de ter 32 anos e não conseguir palavra melhor pra descrever.
A Brida era especial por si só. Não só por esses pelos macios, os mais macios do universo, mas porque ela era engraçada, fofa e chata. Eu não consigo conceber que 2019 me aprontou essa de tirar ela de mim. Mas tirou. A gente sabe que a vida de cachorros são breves. Foram 13 anos apenas, bem vividos para ela, mas passou rápido demais para a gente.
Lembro do dia que a adotei, 3/04/2006. Ela tinha 23 dias e cabia na palma da minha mão. Foi assim que a trouxe pra casa. Mas eu não lembro quando foi a última vez que a vi.
Eu só não quero acabar 2019 sem deixar registrado que a Brida foi a coisinha mais macia que minhas mãos tocaram, que eu sinto saudade dos guinchos inacabáveis pedindo comida, de toda a chatice que ela era mas que me colocava um sorriso na cara.
Eu sempre tive cachorros. Acho que nasci no meio deles. Minhas lembranças mais remotas na vida são ao lado de cachorros e sempre são lembranças alegres. A parte chata de ser adulto é justamente entender essa brevidade, conviver com a saudade, viver de lembranças.
Por toda sorte do mundo eu tenho o Che que é minha alegria diária. Aliás, ele está aqui nos meus pés enquanto estou escrevendo e às vezes me questiono sobre as lembranças que ele tem da Brida. Eu não sei como funciona na cabeça dele.
Hoje é 31/12 e já estou com raiva porque alguns vizinhos já soltaram fogos. Che não gosta. Brida morria de medo, a Luva tinha pânico, Tofi mesma coisa... todo histórico de cachorros que tive entravam em pânico nessa data. Aqui em casa já fizemos de tudo pra aliviar o medo deles. Algumas horas atrás eu abracei o Che e ainda disse: a mãe protege. E fico pensando nesse bando de filho da puta (não to pedindo perdão pela expressão porque é o que são) que abandonam seus animais ou simplesmente os deixam sem qualquer amparo.
E aí eu volto a pensar que eu queria a chance de passar a mão nos pelos mais macios do universo nem que fosse por uma última vez.
Eu não quero lembrar de 2019 mas da minha Brida, eu nunca, em hipótese alguma eu vou esquecer.
Tenho saudade, mana.
Toti
Meu amor, meu filho. Era 7h quando recebi essa foto. Deitado na sua cama a qual tu me empresta para dormirnos juntos quando vou te visitar. Ok, eu sei que tu dorme com vovó e vovô, mas te ver aí sozinho me fez ver a imensidão do amor que tenho por ti.
Quando contigo estou eu sei que tu sente as minhas dores e alegrias. Tu gosta de dormir sobre minhas pernas, mas se estou triste, como quem não quer nada, tu vai enfiando teu corpo sobre meus ombros e eu não tenho alternativa a não ser te abraçar e tua cabeça fica estrategicamente perto da minha boca como se dissesse: pode beijar, mamãe. Pode aliviar os teus tormentos.
E eu não sei qual é a mágica dos teus pelos que fazem cócegas no meu nariz, mas qualquer coisa que pudesse me perturbar perde o sentido. Eu sinto paz e o teu abraço oficialmente me cura do mal do mundo: a ansiedade. Aquela que eu sempre carrego e às vezes alprazolam nenhum consegue tirar. Teu amor é terapêutico, meu filho. Às vezes tu tem umas atitudes que eu digo: meudeusdocéu, que cachorro burro. Às vezes tu me olha com aquela cara de julgamento que faz eu parar de fazer o que estava fazendo porque eu sei que ru tá pensando: humanos sao esquisitos demais, como alguém inventou esse negócio e ainda dizem quem são seres superiores?
Mas eu sei que a gente se entende no olhar.
Lembra daquele temporal de 2014 que nos abraçamos, colocamos um edredom em cima de nós porque os vidros do condominio começaram estilhaçar e acabou a luz da cidade toda? Meu amor, aquele dia éramos apenas nós dois contra o mundo porque a vida estava desabando e nunca sentimos tanto medo, desespero e seja lá o que for. E sobrevivemos. Nossa cidade virou um cenário de guerra. Alguns animais não tiveram a mesma sorte, dezenas de famílias perderam tudo, e nós... Nós tínhamos a nós dois. E foi naquele dia que eu soube que seria sempre nós dois. Por que eu te amo de carne, osso, coração e vísceras. Tu é meu doguinho mas é o meu filho do coração. Minha carniça. Meu Ernesto Biridin. Meu Coração monocromático. Meu Luís espalha lixo. Meu Bunda Seca. Seja o que for, é todo da mamain. 💜
PS.: 6 anos passaram muito rápido.