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Toti

(Esse texto é de 2012 mas eu PRECISO repostar)
Preciso compartilhar com vocês uma situação que aconteceu comigo. Para quem realmente me conhece, sabe que eu tenho um certo problema com a autoestima, então, em agosto do ano passado comecei tratamento médico para perder peso, uma reeducação alimentar.
A médica me receitou a dita sibutramina, mas queria me ver em um mês porque explicou que o remédio tem vários efeitos colaterais. Eu sempre fui contra o remédio porque via as pessoas emagrecendo, mas depois engordavam o dobro... Pois bem, tomei o remédio, e no primeiro mês emagreci 10kg, que me motivou bastante. Eu estava feliz pelo caminho percorrido, pelos resultados e conversando com a médica, percebemos que eu não estava sendo vítima de nenhum efeito colateral. MAS eu teria que estar ali em um mês novamente.
Novembro chegou, eu sentia coisas estranhas, ansiedade, mas como sempre fui ansiosa, achava que era normal, não contei isso para a médica porque para mim não havia nada de novo, então eu deveria tomar por mais um mês e meio, data da próxima consulta, que seria hoje!!!
Hoje a coisa foi diferente. Faz um mês que ando melancólica, triste, irritada, meu humor oscila feito uma montanha-russa, então comentei isso com a médica, porque sempre tive isso nas inúmeras crises de ansiedade que já tive, e ela disse: A partir de hoje cortamos a sibutramina, não adianta tu ser magra e perder toda tua vida social, sem amigos, sem trabalho e sem família, sozinha tu não vai a lugar algum, tu precisa estar feliz para seguir até mesmo com a reeducação alimentar. A sibutramina mexe muito com o humor, acontece muitas brigas sem motivo algum, e quem já sofre com transtornos de humor não deve fazer uso do remédio.
Eu olhei para a médica e meus olhos se encheram de lágrimas, me veio um filme na cabeça de tanta coisa que eu poderia ter evitado no último mês, e principalmente nas últimas horas. Minha consulta era de 10min e passou para 40min. Tudo bem que os outros pacientes queriam me matar, mas eu me senti viva quando saí daquele consultório porque no fundo, senti esperança.
Encontrei tanto as respostas que eu queria e saber que com um tratamento correto sei que muita coisa vai mudar. 
Então, agora como vítima de um remédio que poderia ter destruído minha vida, eu digo para vocês: não se mediquem por conta própria. Procurem um médico, deixa ele acompanhar a evolução das coisas. Não esconda teus pecados dele, seus fracassos, ele precisa saber porque só ele vai conseguir te ajudar.
Eu saí do consultório chorando, marquei minha próxima consulta chorando, vim chorando no ônibus pensando em tudo que poderia ser evitado.
No fim, decidi não colocar a culpa na sibutramina, mas saibam, por tudo que me tem acontecido, ficou uma grande lição... e não desejo esta dor para nenhum de vocês, então, tentem aprender também com esse problema que tive, é um presente que posso deixar para todos vocês!
De coração
Toti
Já vou começar com a resposta: O seu! Se encontre.

Eu acabei de ser bloqueada de uma página do Instagram de Jejum intermitente que eu seguia. Se eu fazia jejum? Não! Nem posso porque sou bariátrica (como chamamos pessoa que passou por cirurgia de redução de estômago) e como em pequenas porções. Se fico muito tempo sem comer minha glicemia baixa e fico prestes a desmaiar (não sei se desmaio ou se é sensação, mas por via das dúvidas, eu me alimento de 3 em 3h). Jejum não é para mim, mas gosto de acompanhar as pessoas, os resultados, as receitas e tiro dali alguns aprendizados e motivações.
Pois bem, na referida página (com milhares de seguidores) fizeram como postagem o print de um comentário de uma seguidora que dizia, não vou escrever "ipsis litteris" porque não lembro, que não falavam para os bariátricos que pós cirurgia não iriam morrer por não se alimentar, que não iriam ficar sem vitaminas e que não iriam ficar desmaiando pelos cantos como falam para as pessoas que fazem jejum.Eu, por conhecimento de causa, comentei na referida postagem que só não falam para o bariátrico que vão morrer no pós operatório, mas como também falam que irão morrer durante a cirurgia, que é uma medida muito drástica e que é falta de força de vontade. E que gente para desmotivar não falta, que as vitaminas teriam que ser tomadas pela vida toda. Achei triste uma página séria como aquela que há tempos eu seguia baixar a luta de um pra enaltecer a luta do outro.Eu mal publiquei o comentário, estava ainda lendo muita gente aplaudindo a postagem quando vi uma pessoa defender o mesmo pensamento que o meu. Me senti abraçada e fui reagir àquele comentário. Não consegui. Fui banida.Tudo bem, mas o desserviço que a página prestou no dia de hoje me fez refletir bastante. O método verdadeiramente eficaz do emagrecimento, ao meu ver, é a reeducação alimentar combinado com o exercício físico e boa noite de sono. E eu falo isso após três ano de cirurgia porque se não fosse esse método, eu já estaria engordando novamente porque minha cabeça é de gordo (e o problema nisso está que eu não me encontro, não me vejo, e acredito que não estou saciada). Eu tenho compulsão alimentar e tenho que tratar isso ainda e talvez pelo resto da vida assim como as injeções de B12 que terei que levar também pelo resto dos meus dias e que estava ciente no pré-operatório.
Mas isso sou eu falando por mim, porque eu decidi mudar meus hábitos. Tem gente que mesmo pós bariátrica consegue fazer jejum e leva isso como estilo de vida. Conheço quem tenha feito a cirurgia e se detestou magro e resolveu engordar de novo, cuidando da saúde mas se sente feliz com seus quilos a mais.
Todo dia eu vejo alguém me falar que quer emagrecer, os motivos são inúmeros mas o mais normal é a insatisfação com o corpo. Raramente é saúde mas eu não posso julgar. Quando eu decidi fazer a bariátrica eu estava com minha saúde bem no lixo mas era como eu me sentia perante o mundo que me motivou a tomar medida tão drástica. Durante o processo de emagrecimento a saúde acabou virando prioridade. A vida ensina.
O fato é que a bariátrica não é um método 100% eficaz. Tem quem perca 30kg e quem perca 70kg em um ano. Tem quem engorde de novo, tem quem mantenha o peso, tem quem fique cadavérico e sem vitaminas. Tem quem sofra dumping só em enxergar um doce. Quem sofre entalo com qualquer tipo de carne ou com arroz. Bariátrica tem muitos riscos, sim. Tem quem passe ileso por tudo. Tem quem faça jejum intermitente e emagrece 4kg por semana e quem não consegue emagrecer 200g. Tem quem faça reeducação alimentar e não vê a balança se mexer por alguns meses e outros que parecem que fizeram mágica com a gordura.
A situação é a seguinte: Respeite seu corpo e seus limites.
Outro exemplo clássico é que, vou me usar novamente, estou com peso estacionado, porém, visivelmente estou ganhando músculos. Hoje mesmo mostrei fotos para alguns amigos de algumas curvinhas que ganhei no corpo e achei 'bonitinho'. Minhas pernas estão torneadas. Faz 3 semanas que vou na academia para fazer musculação e que estou pegando pesado, que estou levando a sério e vejo resultados de verdade. É pouco tempo, eu sei, mas eu comecei a ver muito mais de quando eu estava em outros tipos de treinamentos e de quando estava perdendo peso na balança.
Fiz avaliação física e meu índice de massa magra era tão baixo que era de dar vergonha. Não tenho tanta gordura corporal, mas músculos eram tão poucos que era como se eu fosse obesa. Adianta? Não. Saúde não estava em equilíbrio.
Eu não vou em nutricionista atualmente, mas aconselho fortemente quem puder ir.
Eu vou em endocrinologista porque como já contei aqui, tenho compulsão alimentar, preciso de acompanhamento pra minha cabeça, sozinha eu não consigo e não há nada errado em pedir ajuda, muito pelo contrário. Viver em frustrações e sabotagens e ficar se enganando que amanhã tu começa uma dieta e esse amanhã não chegar nunca é muito mais difícil. Eu tô bem feliz por um dia ter ligado pro médico e vencido a procrastinação. Aliás, eu estava tão sem vitamina no corpo que quase não fui na 1ª consulta porque não tinha energia, mas ajeitamos isso e hoje meu folego pra viver é maior.
Eu sou preguiçosa pra exercícios físicos, detesto academia, mas estou nessas 3 semanas vencendo a preguiça todos os dias. E vendo os resultados estou orgulhosa de mim (eu tentei várias coisas antes, e não tinha motivação, mas tentava). Desejo a você que vença seu cansaço e sua falta de energia para subir escada ao invés do elevador. Sei lá, que tenha um começo qualquer, faça algo que te de orgulho por um dia. Uma pequena meta ou um pequeno corte como o doce ou o refrigerante (aliás, estou há 6 meses sem refrigerante, coisa que eu nunca imaginei parar e estaria mentindo se eu disser que sinto falta porque não sinto).
É isso. O fato é que eu coloquei na minha cabeça que eu precisava de ajuda e fui atrás. Eu realmente precisava, então o meu método é o do policiamento, preciso de alguém me supervisionando e da minha cabeça sendo colocada nos eixos. Tem gente que só em pensar que alguém vai cobrar já desiste, já fica com raiva e não quer mais nem saber, então, cada um no seu quadrado.
Não cobrem resultados quando cada corpo é uma maquina perfeita mas com funcionamentos tão distintos. A internet pode ser uma excelente fonte de pesquisa, mas quando se trata de opinião alheia, não se esqueçam que é apenas a opinião alheia!!

Toti
Hoje nós vamos falar de bariátrica, sim. Aliás, eu vou falar de dois momentos da minha vida, mas o início e o fim serão sobre a bariátrica, principalmente pelo preconceito gigantesco que existe ao redor dela.
De todas as frases acima citadas, a que mais ouvi, e talvez seja unanimidade é: COM CIRURGIA ATÉ EU.
E vocês não imaginam o quanto isso dói para um bariátrico.
Vamos partir do princípio básico que obesidade é doença. Ninguém é gordo porque quer. Comida é maravilhosa, é. Estamos todos de acordo. Mas compulsão alimentar, ansiedade, fatores genéticos e ambientais, tumores, doenças endócrinas também são causas que fazem com que o peso aumente. Julgar é muito fácil. 
Eu mesma sempre tive sobrepeso. Minha fase de obesidade durou um ano, talvez.
Mas preciso começar lá no final da minha infância e início da adolescência pra contar um pouco de como cheguei ao ponto de uma bariátrica. Eu sempre tive sobrepeso. No final da infância eu fiz exame de sangue e estava com triglicerídeos alto, então comecei uma dieta. Eu sempre tive vergonha do meu sobrepeso mas isso nunca impediu de eu ser uma pessoa alegre com as pessoas com quem convivi. Só que a adolescência chega pra todo mundo, né?
Eu comecei a me esconder atrás de camisetas e calças largas. Não existia vaidade em mim. Achei que era uma fase, mas eu acabei sendo um tanto reclusa. Eu já tinha lido todos livros da biblioteca da minha escola mas raramente saía com meus amigos naquela fase que os pais começaram a liberar. Eu não gostava porque eu era o patinho feio. As minhas roupas era muito diferentes das que minhas amigas se vestiam, eu não me sentia realmente a vontade.
Lembro da minha formatura do Ensino Médio que eu era a única guria a estar vestida de calça. Eu não era exatamente gorda, mas eu não me sentiria a vontade de vestido. Foi eu que optei pela minha roupa. Eu estava de salto alto como as demais, mas eu era a diferente, sabem? E não era um diferente realmente legal. Eu gostava de ser diferente, mas no fundo, eu me sentia perdida. Não deixei de me divertir, sempre fui muito espontânea, alegre, risonha, mas eu tava  diferente e eu não queria estar.
E dois meses depois eu já estava na faculdade de Direito. Minhas colegas iam para a aula como se estivessem produzidas para uma festa. Eu ia para a aula como se estivesse pronta para a academia. E eu nunca nem gostei de academia.
Eu tinha 17 anos ainda.
E repito. Eu nem era gorda. Mas as minhas colegas eram magérrimas. Eu não cabia nelas. Tanto que desde muito cedo a maioria das minhas amizades foram com homens. Eu não sei se tem a ver, até hoje não sei porque eu nunca senti inveja ou quis ser como elas, mas eu só sabia que eu não cabia naqueles estereótipo mas eu não queria ser diferente do que eu era. Só que eu olhava para meu roupeiro e eu não tinha uma saia. Eu pensava que eu ficaria horrível se vestisse uma roupa assim, e as vezes eu queria sair, me arrumar e me sentir um pouco bonita. A verdade é que eu nunca me senti bonita. Não para os olhares dos outros, mas para meus olhos. Meus olhos nunca me viram bonita. E assim como na formatura no ensino médio, doeu. Mas até então, ainda não era um problema, eu ainda podia me esconder nos livros ou atrás das minhas piadas.
Mas eu vou pular 10 anos, quando tive depressão, engordei 40kg em 3 ou 4 meses e o sobrepeso passou para obesidade grau 2. Foi aí que tentei dietas e a cada 2kg que emagrecia, engordava 3. Chegou a um ponto que pedi socorro e optei pela cirurgia. Eu me escondia das pessoas. "mas tu não precisa de cirurgia". Ah, eu precisava sim. Eu estava com 125kg. Depressiva. Com gordura no fígado. Sem saúde. Se já não existia auto-estima, eu não tinha vontade de viver. Aí vinha as frases "Por que não fecha a boca?" eu devolvia a frase pra pessoa "porque tu não fecha a tua?"
As pessoas acham que fazer bariátrica é ir lá, mostrar pro médico que está gordo e que vai emagrecer e ficar tudo bem. GENTE, DEIXEM DE SER IGNORANTES. 
Eu queria fazer dois convites.
1. Assistam o programa Quilos mortais. Eu sequer consigo assistir de tanto que choro.
2. Entrem em grupos do facebook de pessoas que estão NA SEGUNDA BARIÁTRICA.
Quem faz bariátrica ENGORDA TUDO DE NOVO, SIM. Por desleixo? NEM SEMPRE. E esses grupos são muito tristes. Bariátrica é um sonho pra 100% das pessoas que faz a cirurgia porque ela é uma cirurgia pra reparar a saúde, veja bem, BARIÁTRICA NÃO É UMA CIRURGIA ESTÉTICA, e, além disso, tu tem que lidar com flacidez, estrias, com excesso de pele, com um milhão de coisas que as pessoas chamam de "mimimi" porque acham que porque tu emagrece, obrigatoriamente tua auto-estima tem que ficar lá em cima. Tu ganha saúde, tua vida melhora com toda certeza, tu consegue encontrar roupas com maior facilidade que antes (eu mesma consegui usar saia), mas veja, vou fazer 3 anos de cirurgia e faz 1 ano (ou menos) que tenho conseguido tirar fotos. E ainda não consigo colocar fotos do meu antes, com 125kg. O que deveria ser um orgulho já que hoje peso 63kg para 1,69m
Ah, e já mencionei anteriormente, eu quase morri pós bariátrica.
Por exemplo, eu nunca me importei com estrias, já tenho uma amiga que é surtada com as dela. Já eu tenho surtos com a flacidez, coisa que não incomoda essa mesma amiga. Então, cada um tem sua jornada. E o julgamento de "mimimi" existe de onde a gente menos queria. Então imagina um "COM CIRURGIA É FACIL".
E digo mais. Agora, 2 anos após cirurgia eu percebi que estava entrando numa fase de compulsão alimentar, tive que procurar um médico com urgência. Eu percebi, mas tem quem não perceba e acaba entrando numa vibe de comer, comer comer e... estomago dilata e quando vê... ENGORDA TUDO DE NOVO.

COM CIRURGIA NÃO É MAIS FÁCIL. CARAI, REPEITA A NOSSA HISTÓRIA, AS NOSSAS CICATRIZES, A NOSSA PELE GELATINOSA, E QUALQUER EFEITO QUE POSSA TER (OU NÃO PORQUE NÃO HÁ REGRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS E HÁ COLAGENOOOOOOOOOOOOOOOO)!

Deu. Obrigada pela atenção.

PS.: Obrigada Mario Ferraço pela foto e Parabéns pelo resultado. Tamo junto e grampeado, brother!