Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Toti


 Vocês têm noção de tudo que você já superou na vida?

Eu nem sempre tenho essa ideia, só sei que hoje eu tô melhor do que eu estava, mas coisas como li hoje me fazem ver que superei coisa pra caramba. 

Em 2019 eu estava em depressão e eu não queria falar isso para ninguém e foi uma época que muita gente se afastou de mim. Não tô julgando, de repente era difícil lidar comigo na época. Ou também, tive o livramento de pessoas pouco empáticas. Eu não falava abertamente que estava com depressão, inclusive. Mas eu sei que minha conversa era um tanto mais melancólica. E eu não queria preocupar ninguém, principalmente minha família, porque eu moro longe e não queria que ficassem preocupados. Isso ia piorar minha situação e talvez eles quisessem tomar algumas decisões que eu não tinha energia pra viver.

Eu estive sozinha também porque acreditei que tinha forças pra passar por tudo aquilo, mas não foi nada fácil. Nada. A falta de energia pra viver me consumia de uma forma que eu sequer consigo explicar hoje. Eu recusava todos os convites e no meio de tudo também vi muita gente que eu amava sendo escrota com outras. Me faltou fé na humanidade e eu já não tinha mais onde me apegar. Descobrir que no fundo do poço tem um alçapão não foi fácil. E eu também tinha crises horríveis de dor por conta da fibromialgia e isso me fazia chorar muito. Eu chorava de dor enquanto estava acordada. Me dopava pra não sentir dor (física e emocional). 

Não sei exatamente quando foi a virada de chave, as crises de ansiedade só passaram 1 ano depois, em 2020, depois de uma noite bem escura pós meu aniversário, totalmente sozinha, dessa vez sem o Grêmio como tinha feito um ano antes. Mas eu tive que mover um mundo inteiro pra sair do poço e ver luz de novo. 

E eu tenho muito orgulho disso.

O que veio depois disso foi alguém muito mais segura sobre si mesma. Não que eu tenha uma autoestima elevada porque não é o caso, mas eu me priorizei de uma forma que julgo correta porque eu vivi só, eu passei por tudo sozinha, e eu consegui sair sozinha. E não tô dizendo que não tenho ninguém por mim, pelo contrário, mas as ocasiões assim se fizeram. E eu superei.

Por isso hoje eu não me importo se os outros acham minhas atitudes egoístas, se alguém fica triste quando me priorizo se eu sei que tomei as atitudes corretas. Pensem de mim o que quiserem, sabe? Porque ninguém viveu aquelas dores comigo. Ninguém. Nem quem estava na vida e nem quem veio depois. E quem veio depois pode se dizer em não ter culpa do que passei, mas aí é que tá, eu jamais vou me permitir voltar para aquele lugar enquanto eu estiver consciente de minhas tristezas. Eu vou remediar muito antes de dar um passo pra trás porque eu respeito o que sinto.

E eu to falando de apenas uma fase que me ensinou bastante, mas eu vivi muito mais do que isso. Então, não me peçam para ser muito diferente porque eu não vou regredir. Estagnar já é difícil, regredir não está nos planos, não foi pra isso que nasci.

É isso. 

Toti

 Acho essa palavra forte mas o suficiente pra traduzir o que acontece comigo, às vezes.

Eu to numa fase muito ok comigo mesma, plena. Eu sinto paz no meu coração porque eu sei que tomei as decisões certas. AS DECISÕES. Desde dezembro/2021 eu mudei muita coisa em mim, relacionamento, profissional, amizades. E isso, no passar dos dias tem me ajudado. Eu precisei - e ainda preciso - usar bastante do auto perdão porque quando penso nas coisas que fiz, nas palavras que disse, tudo me dói. Como pode eu ter me transformado em um alguém tão ruim? Eu não sou assim.

Tanta gente, sabe? Amargura! 

Então, agora eu tô bem.  Ontem fiquei olhando umas postagens antigas e vejo que nada mais daquilo faz parte de mim: ansiedade, tristeza, dor de amor, amigos falsos, nada. Hoje eu olho as postagens que vem de sugestão e nada se aplica a minha vida, o que de certa forma é bom, mas eu me sinto perdida sem ter o que sentir. Eu tomei um remédio que me deixou bem apática sobre tudo há uns meses e agora que parei de tomar eu consigo sentir, pelo menos voltar a ter carinho com as pessoas e coisas, mas existe um vazio em mim que realmente me deixa perdida.

E aí eu desmorono.

Eu fico chateada, sem vibe pra nada, mas não é uma tristeza profunda, é só uma bad como se fosse um sentimento infantil da criança que não ganhou o brinquedo que queria. Esse é o único sentimento que consigo identificar em mim. 

Se eu analisar o tanto de sentimentos que eu carreguei durante tantos anos, o que eu deveria sentir era alívio em nada mais participar da minha vida e em eu ter superado tanta coisa, mas não. Não é esse o sentimento que tem em mim. Bom, logicamente fico bem aliviada de não trazer mais tanto peso e pretendo nunca mais sentir tudo aquilo mas não estou completamente plena pra me considerar feliz.

E eu não faço ideia o que me falta pra eu sentir isso. 

Toti


Há três dias fiz 34 anos. As crises de ansiedade eram recorrentes desde meus 17 anos. Engraçado é que sempre detectei os gatilhos, mas a crise sempre chegava das formas mais sorrateiras e acabava me fazendo parar na UPA ou em consultas de emergência achando que eu não ia mais respirar, que ia infartar, que tinha câncer nos ossos ou no cérebro. E não, eu não to potencializando nada, era assim mesmo.

Em agosto de 2020 eu estava vivenciando todos os sentimentos do mundo como se estivesse com todas as gavetas do coração abertas e atirado tudo no chão sem qualquer energia para colocar tudo no lugar. As feridas estavam expostas. Eu chorava todos os dias porque a raiva de situações me consumia mais que a tristeza das situações que não dependiam de mim para mudar. Todas as dores que o ser humano pode sentir eu estava sentindo naquele momento e vendo qualquer apoio que eu buscasse se esvair entre meus dedos. Eu nunca me senti tão só, justo eu, a pessoa de 1milhão de amigos.

Naquele 17 de agosto, 3h da manhã, eu chorava tão desesperadamente que só em lembrar me dá um tremor. Era frio, minhas lágrimas fugiam do meu corpo, eu não tinha mais controle de nada. E foi aí que eu percebi que a única pessoa que podia fazer algo por mim era eu mesma, que seria sempre eu por mim mesma e não me tornei minha aliada. Parece bonito em dizer mas foi a coisa mais dura de sentir. E não é que não tenha apoio de amigos e familiares, eu tenho e AH MEU DEUS como sou grata por isso, mas era o meu momento porque eu não sabia como dividir o peso, como aumentar a auto-estima, como criar confiança em mim. Essas coisas seria só eu que poderia fazer.

Decidi criar uma rotina, criar hábitos de coisas que me faziam bem, comecei a fazer cursos, a voltar a correr e a escrever (sem necessitar de leitores). Eu criei uma vida toda em volta de mim mesma. Lembrei do quanto eu sou foda pra caralho e que eu só precisava sentir isso porque não adianta ninguém dizer ou me lembrar se eu não acreditar. E desde então eu decidi o que poderia ou não me abalar. Me reinventei e ressignifiquei tudo (ressignificar era a palavra que eu tinha tanta ojeriza naquela época). E a partir daquele dia eu nunca mais fui a mesma e desde então vivo uma versão minha que me orgulho dela todos os dias.

E sobre isso tudo que passei, vim te lembrar para que não se cobre se você ainda vive a ansiedade ou depressão. Entenda teu momento e não se torture. Principalmente, não se sinta fraco porque muito provavelmente você tem sido forte demais por longos tempos. Seu corpo precisa do descanso e você precisa lembrar de respirar. Eu não me livrei da ansiedade, me livrei das crises, mas todo dia dou um passo para que ela não me domine mais, só que foram 17 anos de tratamentos e frustrações e desistências e recomeços para eu entender isso. Foi o meu tempo e não será igual o de ninguém. Você tem o seu e a única coisa que precisa saber é que não está condenado a viver com isso.

“Nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte”.

Toti

 Eu gosto de fazer aniversário. Nem é a festa em sim, é trocar de idade mesmo. O que para outros é o desespero, para mim é só mais um dia. Minha meta é ser o Ney Matogrosso que aos 80 anos está vendendo saúde e, bom, para isso eu sei que tenho que me cuidar mais.

8 meses de 2021 e seguimos em pandemia. Já fiz minha primeira dose e a sensação foi indescritível pra mim. E acho que galera tá nessa porque é nossa única esperança porque ainda tão receitando ivermectina para quem tem Covid.

Se não tem remédio pra isso, fazer o que? E as novas cepas, as variantes, a delta, elas estão cada vez piores. Vacina é o que temos.

MAS, não é sobre isso que vim falar. Aliás, eu nem sei sobre o que eu vim falar. Sei que daqui 10 dias estou de aniversário e  meu humor oscila muito nesse período porque por mais que eu goste de aniversariar, eu sempre penso que não estou onde quero ainda e me frustro bastante com isso.

Hoje é um destes dias.

Eu queria ter emagrecido mais, queria ter ido mais adiante nos meus projetos, queria ter focado mais no que realmente interessa (eu realmente tenho problema sério com a falta de foco). Sei que pensar nessas coisas, ficar triste, nada disso vai mudar minha situação que o que muda é focar na solução para logo conseguir alcançar essas metas, mas eu acho que tenho que me permitir um dia de bad vibes (desde que não vire rotina).

E veja como me saboto: eu me inscrevi em 3 workshops essa semana (na verdade foram 5, mas dois deles, decididamente, não são minhas prioridades). Aí os 3 são no mesmo horário e, logicamente, não conseguirei assistir todos, então eu me frustro que não consigo acompanhar as coisas, nem ter constância e etc.

Concluímos todos que eu me cobro demais, é sabotagem! Eu usei isso como exemplo porque é o que está acontecendo nesse exato momento, mas eu sou assim com absolutamente tudo. E é isso que eu quero mudar em mim, é minha meta de 34 anos.

E recém é metade da tarde, tenho muito o que pensar e o que ser produtiva neste dia, vou conseguir assistir as aulas que agendei se eu me organizar, e amanhã meu astral deverá estar melhor. Percebo que maioria das minhas frustrações são por coisas que eu estou me cobrando sem qualquer necessidade. Ninguém disse que eu tenho que ter 62kg, ninguém disse que tenho que ser produtiva all the time, em nenhum lugar está escrito que aos 33 anos a gente tem que estar com a vida ganha.

Tudo bem, é importante ter metas e objetivos, é isso que nos move e eu sei que se eu tivesse perdido menos tempo com medo de não conseguir as coisas e ter peitado, eu já estaria em outro lugar mas, não cabe eu ficar imaginando que lugar seria esse. O que tenho é o de agora em diante. Pelo menos essa parte eu aprendi.

Lembro que as vésperas do meu aniversário do ano passado eu estava destruída psicologicamente e demorou alguns dias ainda para eu começar a perceber que estava no fundo do poço, então, este ano, eu estou muito melhor. Claramente eu evoluí. Fará 1 ano, UM ANO, que não tenho uma crise de ansiedade e isso sim é digno de ser comemorado.

Então, eu sei que eu mesma tenho o poder de jogar meu "inferno astral" para longe e eu vou fazer isso. Mas espero que as vésperas dos meus 35, em 2022, eu nem sequer lembre o que é inferno astral. E se eu lembrar que eu possa fazer a mesma avaliação que agora: 


Eu evoluí.


Marcadores: , 0 latidos | edit post
Toti

Eu não quero mais falar sobre o ano que passou. Se fosse possível, eu seria apoiadora dos que dizem que foi um surto coletivo e nunca existiu.

Então, bora lá porque é pra frente que se anda. Eu gostei demais do meu “reveião” porque eu pude comemorar com os meus. Faltou um lugar e isso doeu, sim. A vó Nadir ocupa um espaço indizível no peito e certamente essa ausência foi sentida mas eu sei que muitas e muitas famílias (posso dizer: milhares) também tiveram um ou até mais lugares vazios à suas mesas. Também milhares de ausências foram sentidas.

Mas em meu coração eu tenho que minha vó está muito bem porque a alegria que ela transmitiu aqui na Terra certamente tem algum valor e, aliás, eu quero muito esse legado, enquanto eu puder transmitir alegria minha vida estará valendo a pena.

E nessa alegria, eu sendo eu, comprei um “S” no lugar do “2” pra completar o “2021” em balões metálicos e assim fizemos a virada para um ano imaginário. A gente na piada interna já chama de “20z1”. E que seja porque hoje o tempo me interessa pouco, o que me interessa é o instante AGORA.

Da antiga eu sem as minhas curas, fui uma pessoa extremamente ansiosa. Ansiedade como doença mesmo, tendo que ser tratada por 16 anos. Ainda cuido para ela não mais exercer poderes sobre mim mas atualmente eu vivo apenas o momento e todas as emoções que ele pode me trazer. E só. (obs.: cuidar os atos por impulso).

Hoje eu vivo neste ano imaginário onde acredito em dias melhores. Não pela minha fé sobre a vida, mas porque eu tendo a ser otimista nos meus processos de amadurecimento e ressignificação, afinal, o propósito é eu ser alguém melhor pra mim mesma e, consequentemente, para a humanidade (que às vezes acho que nem merece *risos*). Se eu não for otimista, não vejo motivos para tentar e, assim, eu sei que vou ficar nesse mesmo ciclo de reclamações e comodismo e se tem algo que eu não sou é acomodada (reclamona, um tanto, mas já falei que to tentando melhorar, né?).

Eu fiz poucas metas pra 20z1 porque eu precisei muito mais encerrar ciclos do que reiniciar algo em minha vida. E encerramentos doem, mudanças machucam, porém, eu fiz o que eu precisava fazer, não importa o quanto ardesse. E não há mertiolate para o que dói dentro do peito. Mas que doa agora para não doer nunca mais, foi esse meu mantra. Em 20z1 eu posso COMEÇAR. Meu ano imaginário eu posso criar o que quiser, buscar o que quiser e entender a felicidade ao meu modo.

E o mais legal disso tudo é que nesse momento eu sinto meu coração pulando em meu peito. Ah, vida: Muito obrigada!



Toti

 


            Estava lendo há um mês um texto aleatório que estava em algum perfil de facebook sobre as resoluções de ano novo. Que tão importante quanto fazê-las é encerrar os ciclos. Do estilo “para o novo vir o velho tem que ir”. Isso me fez refletir bastante.

            No final de julho deste 2020 eu me encontrava no fundo o poço, um lugar que já havia conhecido antes, só que de alguma forma, dessa vez doía mais. Eu pensava por tudo que já passei e não aceitava sentir a dor. Não queria vivenciar a dor, a raiva e a tristeza que eu sentia porque para mim era sem sentido depois de tanta coisa que já passei.

            Até que a terapia veio bater em minha porta (quase literalmente) e eu fui tentar me ajudar antes de puxar o alçapão que havia no fundo desse poço. E desde então eu estou uma verdadeira metamorfose ambulante. Tive dias bons mas dias muito ruins e doloridos a partir disso.

            E tudo, principalmente, porque eu via coisas se repetindo na minha vida de uma forma assustadora. Eu achava que estava enlouquecendo, comecei novamente a ter crises de ansiedade, choro sem motivos, achar que ia morrer. Nada estava fácil em nenhuma área da minha vida. Eu tive que fazer uma busca interna de onde as coisas me doíam, ardiam, sangravam. E depois de achar, ter que ressignificar. Eu tive que junto a isso cuidar do meu corpo que estava me deixando mau humorada com tantas dores (tenho fibromialgia e, pra quem não sabe, é doença incapacitante passível de receber auxílio-doença pelo INSS e ficar “encostado”/sem trabalhar).

Mas em meio a uma pandemia eu não me dei ao direito de achar que estava doente e, depois do pior aniversário da minha vida, eu tive que tomar a decisão de ser alguém melhor pra mim e fazer com que esses padrões assustadores e repetitivos parassem de acontecer.

Ninguém me contou mas eu descobrir que evoluir, dói. E as coisas na minha vida não se tornaram melhores ou mais fáceis a partir da minha decisão. Muito pelo contrário, os problemas seguiram acontecendo, seguiram me batendo. Comecei a ler mais sobre tudo que eu vinha sentido. Google foi meu melhor amigo sobre ‘soluções’. Por que eu tinha entendido que não adiantava focar no problema e sim, na solução. Foi o que fiz.

Desde meu aniversário até hoje se passaram pouco mais de quatro meses e quando eu paro para me analisar eu falo “PQP, COMO EU MUDEI!”. As percepções, os valores, as ideias e os ideais, meu propósito de vida, meus problemas com a autoimagem. Tudo, absolutamente tudo tem um novo significado pra mim.

Faz apenas 3 dias que comecei a sentir o meu coração mais leve. Tô me sentindo muito uma fênix saindo das cinzas (risos). Mas hoje tomei a decisão de recomeçar a minha vida, com a grande vantagem que eu lembro de cada passo que dei errado, então eu posso escrever um novo capítulo, mudar o meio e o fim. E quando penso nisso meu coração palpita, me sinto viva como nunca antes. E me orgulho de cada cicatriz porque elas gritam pra mim, dizendo que eu sobrevivi.

Sei que pensar assim não vai fazer mágica porque eu vou continuar aprendendo (espero), evoluindo, buscando meu melhor, errando, chorando e enfim, vivenciando o que a vida oferecer, mas sei que não preciso mais repetir coisas que acreditei desde criança, que também terei novas chances. Me apego a isso. Acalmar o coração e a mente (agradeço à meditação que tenho tentado aprender ao longo desses 4 meses) faz com que a visão fique mais clara e eu não sofra com a ansiedade – que também faz mais de quatro meses que não tenho crises – nem com todo medo que eu tinha em mim e a pressão que me colocava sobre fazer as coisas darem certo.

Tenho me moldado todo santo dia, feito muito para me sentir bem e mesmo assim nem sempre é suficiente, mas as coisas estão melhores e eu mais em paz (e a melhor sensação do mundo é a de paz), então eu realmente acredito que as coisas estão dando certo.

Enfim, hoje eu decidi escrever um novo capítulo sobre a minha vida. Talvez isso seja literal. Quem sabe, né? 😉

 

Marcadores: , , 0 latidos | edit post
Toti

 

Aconteceu que, do nada, mais precisamente 3 dias após o meu aniversário, eu acordei de repente sem saber quem eu era. E não foi pela troca de idade, não me envergonho nem tenho medo de ter 33 anos e ter uma sacola cheia de histórias para contar, mas foi que me dei conta que eu estava realmente vivendo um universo paralelo.
Ano passado fiz algumas metas para alcançar durante o ano de 2020 e vinha desde novembro de 2019 conseguindo atingir essas metas. Era academia, autocuidado, leituras e sono em dia, mas eu acordei naquele dia sem forças, me sentindo um lixo, percebendo repetições de comportamentos ao meu redor e vendo que a data do meu aniversário, embora eu tenha recebido muito amor, carinho e presentes, as pessoas que mais prezava, mais uma vez, pareciam que tinham intenção de me machucar fazendo um 'dia qualquer'. 
Não é pela data, eu nunca dei atenção a isso, mas sempre é um dia que recebo carinho em excesso, menos de onde espero. E essa situação é cíclica, já vivi tantas vezes que não sei porque insisto em sentir. Mas é a partir disso que preciso filtrar novamente as pessoas ao meu redor e me afastar.
E foi assim que percebi que a pessoa que menos estava me dando atenção era eu mesma. Cadê as mascaras de hidratação no rosto? Onde estavam os treinos físicos? Por que eu estava lendo conteúdos que não me motivavam? E meu sono, esse sim virou bagunça.
Tive que me olhar e eu me senti muito sozinha. Ser só durante uma pandemia tem muitas influências psicológicas e não sou eu quem diz isso, são as pesquisas mesmo. Eu sou uma estatística, estava entrando novamente em depressão e indo, cada vez mais fundo. E eu bem sei que no fundo do poço tem um alçapão. A descida não para.
Pois bem, eu consegui identificar que a falta comigo não era algo normal. Agora, sabendo onde eu estava indo, tô fazendo de tudo pra não cair, eu não quero mais estar onde eu já estive, era tudo cinza e sem vida e não sou pessoa que goste da vida assim, não sou apegada à tristeza porque meu maior motivador na vida é o riso. Eu amo rir, fazer rir.
Só agora, 10 dias depois que eu to realmente voltando a me reconhecer, tem sido bem penoso eu ter que brigar comigo mesma pra fazer as tarefas que me propus comigo mesma. Tem momentos que me pego negociando com meu cérebro e não existe sabotagem maior.
Minha sorte é já me conhecer o suficiente pra saber dos meus sentimentos, o que não é mais lugar comum, o que é estranho e, pra minha sorte, estar pra baixo não faz parte das minhas normalidades. Eu consegui identificar cedo até porque tenho feito sessões de uma terapia alternativa e, embora não me dei conta em tempo de evitar perdas, agora estou conseguindo me ajudar. Logicamente porque eu já passei por tudo isso um dia, tive que me socorrer de médicos, de amigos, de família, do cachorro porque depressão é coisa séria, é doença e deve ser tratada com seu devido respeito, com muita terapia. E respeitar o seu tempo também é importante.
Por ironia do destino, o que me ajudou foi eu ter provas da minha pós graduação. Em outros tempos eu estaria surtando, agora só estava agradecendo por ter algo a mais pra pensar. E cada dia que não procrastinei os estudos, eu me sentia motivada. E da motivação, das 10 provas, tirei 10 em sete delas. E agora ao TCC que já está bem adiantado do que imaginei.
Precisei acordar pra minha vida e que sorte a minha ter conseguido. Sei que ainda não estou exatamente pronta para viver meus dias no meu "ano novo" de 33, mas to quase lá. Aprendi a andar na chuva das minhas próprias tempestades.
E sobre medicamentos, DESSA VEZ,  não achei necessário porque estou conseguindo cumprir minhas metas, fazendo exercícios terapêuticos diários e todos meus monstros interiores estão sendo exorcizados, mas eu me observo.
É todo um trabalho de amor-próprio que sempre foi tão distante de mim, mas estou feliz em me priorizar. Tem bagunças dentro da gente que valem a pena, dói mas a gente aprende e se aprende não é pra doer mais um dia.
Sei que setembro está chegando e sei que vou ver tantas postagens sobre o "setembro amarelo" e sobre prevenção ao suicídio, muitos de forma hipócrita porque o amiguinho ali do lado não escolhe tirar sua vida somente em setembro. Saibam que um suicida nunca quer tirar a vida, ele quer matar a dor e essa dor das muitas vezes que eles não conseguem expressar. E o suicídio é silencioso. 
Uma pessoa com depressão nem sempre dá sinais. E às vezes só quer um socorro, um abraço caloroso, ser ouvido com empatia. Sabem, eu acho que eu até pedi socorro inconscientemente nessa última vez mas, eu mesma me socorri. Sem culpas porque todo mundo tá vivendo uma odisseia dentro de seus lares com essa pandemia, mas eu sei que de tudo que senti, de tudo que passei, eu to me sentindo um tanto mais forte.
Eu mais uma vez: VENCI.

Marcadores: , 0 latidos | edit post
Toti

(Esse texto é de 2012 mas eu PRECISO repostar)
Preciso compartilhar com vocês uma situação que aconteceu comigo. Para quem realmente me conhece, sabe que eu tenho um certo problema com a autoestima, então, em agosto do ano passado comecei tratamento médico para perder peso, uma reeducação alimentar.
A médica me receitou a dita sibutramina, mas queria me ver em um mês porque explicou que o remédio tem vários efeitos colaterais. Eu sempre fui contra o remédio porque via as pessoas emagrecendo, mas depois engordavam o dobro... Pois bem, tomei o remédio, e no primeiro mês emagreci 10kg, que me motivou bastante. Eu estava feliz pelo caminho percorrido, pelos resultados e conversando com a médica, percebemos que eu não estava sendo vítima de nenhum efeito colateral. MAS eu teria que estar ali em um mês novamente.
Novembro chegou, eu sentia coisas estranhas, ansiedade, mas como sempre fui ansiosa, achava que era normal, não contei isso para a médica porque para mim não havia nada de novo, então eu deveria tomar por mais um mês e meio, data da próxima consulta, que seria hoje!!!
Hoje a coisa foi diferente. Faz um mês que ando melancólica, triste, irritada, meu humor oscila feito uma montanha-russa, então comentei isso com a médica, porque sempre tive isso nas inúmeras crises de ansiedade que já tive, e ela disse: A partir de hoje cortamos a sibutramina, não adianta tu ser magra e perder toda tua vida social, sem amigos, sem trabalho e sem família, sozinha tu não vai a lugar algum, tu precisa estar feliz para seguir até mesmo com a reeducação alimentar. A sibutramina mexe muito com o humor, acontece muitas brigas sem motivo algum, e quem já sofre com transtornos de humor não deve fazer uso do remédio.
Eu olhei para a médica e meus olhos se encheram de lágrimas, me veio um filme na cabeça de tanta coisa que eu poderia ter evitado no último mês, e principalmente nas últimas horas. Minha consulta era de 10min e passou para 40min. Tudo bem que os outros pacientes queriam me matar, mas eu me senti viva quando saí daquele consultório porque no fundo, senti esperança.
Encontrei tanto as respostas que eu queria e saber que com um tratamento correto sei que muita coisa vai mudar. 
Então, agora como vítima de um remédio que poderia ter destruído minha vida, eu digo para vocês: não se mediquem por conta própria. Procurem um médico, deixa ele acompanhar a evolução das coisas. Não esconda teus pecados dele, seus fracassos, ele precisa saber porque só ele vai conseguir te ajudar.
Eu saí do consultório chorando, marquei minha próxima consulta chorando, vim chorando no ônibus pensando em tudo que poderia ser evitado.
No fim, decidi não colocar a culpa na sibutramina, mas saibam, por tudo que me tem acontecido, ficou uma grande lição... e não desejo esta dor para nenhum de vocês, então, tentem aprender também com esse problema que tive, é um presente que posso deixar para todos vocês!
De coração
Toti
Já vou começar com a resposta: O seu! Se encontre.

Eu acabei de ser bloqueada de uma página do Instagram de Jejum intermitente que eu seguia. Se eu fazia jejum? Não! Nem posso porque sou bariátrica (como chamamos pessoa que passou por cirurgia de redução de estômago) e como em pequenas porções. Se fico muito tempo sem comer minha glicemia baixa e fico prestes a desmaiar (não sei se desmaio ou se é sensação, mas por via das dúvidas, eu me alimento de 3 em 3h). Jejum não é para mim, mas gosto de acompanhar as pessoas, os resultados, as receitas e tiro dali alguns aprendizados e motivações.
Pois bem, na referida página (com milhares de seguidores) fizeram como postagem o print de um comentário de uma seguidora que dizia, não vou escrever "ipsis litteris" porque não lembro, que não falavam para os bariátricos que pós cirurgia não iriam morrer por não se alimentar, que não iriam ficar sem vitaminas e que não iriam ficar desmaiando pelos cantos como falam para as pessoas que fazem jejum.Eu, por conhecimento de causa, comentei na referida postagem que só não falam para o bariátrico que vão morrer no pós operatório, mas como também falam que irão morrer durante a cirurgia, que é uma medida muito drástica e que é falta de força de vontade. E que gente para desmotivar não falta, que as vitaminas teriam que ser tomadas pela vida toda. Achei triste uma página séria como aquela que há tempos eu seguia baixar a luta de um pra enaltecer a luta do outro.Eu mal publiquei o comentário, estava ainda lendo muita gente aplaudindo a postagem quando vi uma pessoa defender o mesmo pensamento que o meu. Me senti abraçada e fui reagir àquele comentário. Não consegui. Fui banida.Tudo bem, mas o desserviço que a página prestou no dia de hoje me fez refletir bastante. O método verdadeiramente eficaz do emagrecimento, ao meu ver, é a reeducação alimentar combinado com o exercício físico e boa noite de sono. E eu falo isso após três ano de cirurgia porque se não fosse esse método, eu já estaria engordando novamente porque minha cabeça é de gordo (e o problema nisso está que eu não me encontro, não me vejo, e acredito que não estou saciada). Eu tenho compulsão alimentar e tenho que tratar isso ainda e talvez pelo resto da vida assim como as injeções de B12 que terei que levar também pelo resto dos meus dias e que estava ciente no pré-operatório.
Mas isso sou eu falando por mim, porque eu decidi mudar meus hábitos. Tem gente que mesmo pós bariátrica consegue fazer jejum e leva isso como estilo de vida. Conheço quem tenha feito a cirurgia e se detestou magro e resolveu engordar de novo, cuidando da saúde mas se sente feliz com seus quilos a mais.
Todo dia eu vejo alguém me falar que quer emagrecer, os motivos são inúmeros mas o mais normal é a insatisfação com o corpo. Raramente é saúde mas eu não posso julgar. Quando eu decidi fazer a bariátrica eu estava com minha saúde bem no lixo mas era como eu me sentia perante o mundo que me motivou a tomar medida tão drástica. Durante o processo de emagrecimento a saúde acabou virando prioridade. A vida ensina.
O fato é que a bariátrica não é um método 100% eficaz. Tem quem perca 30kg e quem perca 70kg em um ano. Tem quem engorde de novo, tem quem mantenha o peso, tem quem fique cadavérico e sem vitaminas. Tem quem sofra dumping só em enxergar um doce. Quem sofre entalo com qualquer tipo de carne ou com arroz. Bariátrica tem muitos riscos, sim. Tem quem passe ileso por tudo. Tem quem faça jejum intermitente e emagrece 4kg por semana e quem não consegue emagrecer 200g. Tem quem faça reeducação alimentar e não vê a balança se mexer por alguns meses e outros que parecem que fizeram mágica com a gordura.
A situação é a seguinte: Respeite seu corpo e seus limites.
Outro exemplo clássico é que, vou me usar novamente, estou com peso estacionado, porém, visivelmente estou ganhando músculos. Hoje mesmo mostrei fotos para alguns amigos de algumas curvinhas que ganhei no corpo e achei 'bonitinho'. Minhas pernas estão torneadas. Faz 3 semanas que vou na academia para fazer musculação e que estou pegando pesado, que estou levando a sério e vejo resultados de verdade. É pouco tempo, eu sei, mas eu comecei a ver muito mais de quando eu estava em outros tipos de treinamentos e de quando estava perdendo peso na balança.
Fiz avaliação física e meu índice de massa magra era tão baixo que era de dar vergonha. Não tenho tanta gordura corporal, mas músculos eram tão poucos que era como se eu fosse obesa. Adianta? Não. Saúde não estava em equilíbrio.
Eu não vou em nutricionista atualmente, mas aconselho fortemente quem puder ir.
Eu vou em endocrinologista porque como já contei aqui, tenho compulsão alimentar, preciso de acompanhamento pra minha cabeça, sozinha eu não consigo e não há nada errado em pedir ajuda, muito pelo contrário. Viver em frustrações e sabotagens e ficar se enganando que amanhã tu começa uma dieta e esse amanhã não chegar nunca é muito mais difícil. Eu tô bem feliz por um dia ter ligado pro médico e vencido a procrastinação. Aliás, eu estava tão sem vitamina no corpo que quase não fui na 1ª consulta porque não tinha energia, mas ajeitamos isso e hoje meu folego pra viver é maior.
Eu sou preguiçosa pra exercícios físicos, detesto academia, mas estou nessas 3 semanas vencendo a preguiça todos os dias. E vendo os resultados estou orgulhosa de mim (eu tentei várias coisas antes, e não tinha motivação, mas tentava). Desejo a você que vença seu cansaço e sua falta de energia para subir escada ao invés do elevador. Sei lá, que tenha um começo qualquer, faça algo que te de orgulho por um dia. Uma pequena meta ou um pequeno corte como o doce ou o refrigerante (aliás, estou há 6 meses sem refrigerante, coisa que eu nunca imaginei parar e estaria mentindo se eu disser que sinto falta porque não sinto).
É isso. O fato é que eu coloquei na minha cabeça que eu precisava de ajuda e fui atrás. Eu realmente precisava, então o meu método é o do policiamento, preciso de alguém me supervisionando e da minha cabeça sendo colocada nos eixos. Tem gente que só em pensar que alguém vai cobrar já desiste, já fica com raiva e não quer mais nem saber, então, cada um no seu quadrado.
Não cobrem resultados quando cada corpo é uma maquina perfeita mas com funcionamentos tão distintos. A internet pode ser uma excelente fonte de pesquisa, mas quando se trata de opinião alheia, não se esqueçam que é apenas a opinião alheia!!