Toti

Eu não quero mais falar sobre o ano que passou. Se fosse possível, eu seria apoiadora dos que dizem que foi um surto coletivo e nunca existiu.

Então, bora lá porque é pra frente que se anda. Eu gostei demais do meu “reveião” porque eu pude comemorar com os meus. Faltou um lugar e isso doeu, sim. A vó Nadir ocupa um espaço indizível no peito e certamente essa ausência foi sentida mas eu sei que muitas e muitas famílias (posso dizer: milhares) também tiveram um ou até mais lugares vazios à suas mesas. Também milhares de ausências foram sentidas.

Mas em meu coração eu tenho que minha vó está muito bem porque a alegria que ela transmitiu aqui na Terra certamente tem algum valor e, aliás, eu quero muito esse legado, enquanto eu puder transmitir alegria minha vida estará valendo a pena.

E nessa alegria, eu sendo eu, comprei um “S” no lugar do “2” pra completar o “2021” em balões metálicos e assim fizemos a virada para um ano imaginário. A gente na piada interna já chama de “20z1”. E que seja porque hoje o tempo me interessa pouco, o que me interessa é o instante AGORA.

Da antiga eu sem as minhas curas, fui uma pessoa extremamente ansiosa. Ansiedade como doença mesmo, tendo que ser tratada por 16 anos. Ainda cuido para ela não mais exercer poderes sobre mim mas atualmente eu vivo apenas o momento e todas as emoções que ele pode me trazer. E só. (obs.: cuidar os atos por impulso).

Hoje eu vivo neste ano imaginário onde acredito em dias melhores. Não pela minha fé sobre a vida, mas porque eu tendo a ser otimista nos meus processos de amadurecimento e ressignificação, afinal, o propósito é eu ser alguém melhor pra mim mesma e, consequentemente, para a humanidade (que às vezes acho que nem merece *risos*). Se eu não for otimista, não vejo motivos para tentar e, assim, eu sei que vou ficar nesse mesmo ciclo de reclamações e comodismo e se tem algo que eu não sou é acomodada (reclamona, um tanto, mas já falei que to tentando melhorar, né?).

Eu fiz poucas metas pra 20z1 porque eu precisei muito mais encerrar ciclos do que reiniciar algo em minha vida. E encerramentos doem, mudanças machucam, porém, eu fiz o que eu precisava fazer, não importa o quanto ardesse. E não há mertiolate para o que dói dentro do peito. Mas que doa agora para não doer nunca mais, foi esse meu mantra. Em 20z1 eu posso COMEÇAR. Meu ano imaginário eu posso criar o que quiser, buscar o que quiser e entender a felicidade ao meu modo.

E o mais legal disso tudo é que nesse momento eu sinto meu coração pulando em meu peito. Ah, vida: Muito obrigada!